Começando na Bruxaria Ctônica: Guia do Iniciante

Introdução

Este material tem como finalidade orientar iniciantes na Bruxaria Ctônica, podendo ser também um rico estudo para bruxas ctônicas que precisam reiniciar no caminho; afinal, somos eternos aprendizes na jornada de conexão com os khthonioi. As informações fundamentais contidas aqui partem de um trabalho de anos de fundamentação, estudo e disseminação do culto ctônico. Espero que, dessa forma você finalmente dê os seus primeiros passos nessa vertente.

O culto às divindades ctônicas é frequente alvo de insinuações que visam causar terror em interessados e adeptos de práticas com divindades do submundo helênico. Tais afirmações são, muitas das vezes, exageradas e desprovidas de conhecimento profundo e experiencial com a Bruxaria Ctônica. No entanto, elas atingem a insegurança das pessoas justamente porque sabe-se que estamos interagindo com forças obscuras, no sentido de que estas estão ligadas a: morte, sexualidade, sombras; afinal, devemos nos lembrar de que a Bruxaria Ctônica é uma vertente politeísta helênica essencialmente voltada ao culto às divindades do submundo grego.

Com isso, é importante reafirmar que algumas práticas podem ser semelhantes àquelas praticadas no culto aos olimpianos, e isso pode trazer uma certa “presunção por assimilação” ao praticante de espiritualidade helênica. Porém, o culto ctônico nos exige certos cuidados e minúcias voltadas à interação direta ou indireta com o mundo dos mortos, e isso por si só é carregado de especificidades. A Bruxaria Ctônica e o culto às divindades do submundo não são um caminho desprovido de preceito, de fundamentos e de orientações. Trata-se de um refinado sistema espiritual que tem como norte a espiritualidade helênica, a pharmakeia e o que se desvela a partir dela.

O caminho da Bruxaria Ctônica é seguro, pode ser profundamente gratificante e saudável se iniciado por uma boa base e sustentação de culto antes da realização de rituais mais profundos com as divindades do submundo helênico, não podendo as mesmas serem responsabilizados pelo despreparo alheio. Por isso, é vital se organizar no início da trajetória como Bruxa Ctônica.

Este guia foi estruturado considerando a rica cultura material descrita em escavações em sítios arqueológicos da Itália e Grécia. Alguns estudos especialmente analisados foram Olinto, Eutresis, Tessalônica, Selinus e Morgantina, bem como outras regiões, parte do trabalho científico e acadêmico que desenvolvo voltado à pharmakeia (a feitiçaria botânica e farmacêutica helênica).

Estas escavações puderam evidenciar a riqueza do culto doméstico intimamente ligado às atividades cotidianas realizadas por aqueles que reverenciam as divindades helênicas. Muitas destas ruínas associadas à religião doméstica não possuem evidências de quais eram as divindades cultuadas, porém, através delas, conseguimos renascer aquilo que é Theophilés “Amado pelos deuses”. Logo, os fundamentos apresentados aqui têm como principal objetivo fazer aquilo que é agradável às divindades, considerando que a contribuição da arqueologia na Bruxaria Ctônica é justamente nos ajudar a reunir fragmentos do passado e perguntar-nos o que eles podem nos dizer sobre aquilo que aconteceu naquele espaço, e como eles podem contribuir para a fundamentação do culto enquanto bruxas ctônicas.

Sobre a aplicação das práticas deste guia

Não é preciso ter pressa para implementar todas as práticas de uma vez. Porém, recomendo continuar a desenvolvê-las e tentar inseri-las em seus dias para que possa ir mapeando, ao longo do tempo, sua evolução como bruxa ctônica. O início de uma devoção ao caminho da Bruxaria Ctônica é acima de tudo, um momento de preparar nossos lares e altares domésticos para o ancoramento de trabalhos com os khthonioi, que muitas das vezes estão ligados aos mistérios da morte.

Isso por si só abre caminhos para que a bruxa ctônica comece a investigar como se relaciona com a morte, o luto e os aspectos pouco sondados da finitude, que se refletem em situações cotidianas, sonhos, transições e passagens cíclicas que ocorrem em nossas vidas. Em cada gesto, mora um segredo que é revelado quando a bruxa ctônica em iniciação no caminho se abre para entender o significado real e profundo daquilo que está praticando.

A devoção orientada às divindades ctônicas não começa exatamente no contato direto com elas, mas na ritualística que as rodeia e nos gestos sagrados e ancestrais que nos aproximam dos deuses e deusas em respeito. Elas, com isso, ao longo do tempo se agraciando de nossos gestos, respondem às nossas orações e oferendas. Vamos então ao início do caminho na Bruxaria Ctônica, que te conduzirá a uma harmonia entre:

  • Soma (corpo): Corpo, carne visceral. O que te levará a experimentar no mundo físico, através dos sentidos, a vida e a morte como Bruxa Ctônica.
  • Nous (intelecto): A centelha do intelecto, do espírito iluminado pela razão, pelo amor à sabedoria e pela busca de uma verdade que liberta.
  • Psiche (alma): A alma que conecta tudo, que faz a liga sagrada entre o corpo e o intelecto. A conjunção que anseia pela experienciação completa da vida.

Hýmnos como devocional

Os Hinos Órficos às divindades servem como um precioso caminho de contato com os ctônicos, podendo servir de hinário para entoação de preces aos deuses diante do altar que será preparado para os mesmos. Os hinos órficos fazem parte de um compêndio de 87 hinos compostos no século I-III d.E.C. O local de composição teria sido na Ásia Menor, pois os nomes das divindades invocadas foram encontrados no santuário de Deméter em Pérgamo, o que criou uma correlação arqueológica entre os fragmentos e o sítio arqueológico.

A importância dos Hinos Órficos para nós bruxas ctônicas está justamente em serem uma forma histórica de linguagem ritual, invocação, epítetos, cosmologia e relação devocional com divindades ctônicas. Os fragmentos encontrados são atribuídos à figura de Orfeu, não somente ao poeta mítico, mas à tradição religiosa e filosófica posteriormente denominada “orfismo”. O universo órfico também é profundamente importante para uma compreensão histórica das relações entre Dioniso, Perséfone, Zagreu, morte, renascimento e destino da alma dentro da Bruxaria Ctônica. Hoje os hinos órficos constituem parte fundamento da vida cotidiana e devocional de bruxas ctônicas, sendo efetivas orações com ligação ancestral, onde usamos no cotidiano para:

  • Preces regulares (semanais ou a cada 13 dias);
  • Consagração de objetos dedicados aos deuses, tornar-se sagrado (Hagios);
  • Limpezas e purificações periódicas;
  • Evocações em rituais e práticas mais elaboradas.

Desenvolva o hábito de oferendar sua voz, energia e amor aos ctônicos por meio da entonação dos hinos. Quando entoá-los, faça de coração aberto, evitando gestos robóticos demais. Seja melodioso, cheio de graça para com os deuses, mantendo a seriedade que a recitação propõe. Os Hinos órficos também nos abrem espiritualmente para que possamos compreender com mais profundidade quais são os mistérios das divindades as quais cultuamos. 

A postura de oferendas e entoação: Ao entoar o hino órfico aos ctônicos, atente-se à sua postura e mantenha a cabeça baixa e se possível, esteja de joelhos diante do altar com as duas mãos no chão em ato de proskynesis. Enquanto entoa a prece, sinta os poderes ctônicos da terra que repousa abaixo de suas mãos passando-lhe a sustentação, enraizamento e fertilidade.

Prática de Libação Khoí

Trecho – O Caminho de Perséfone “A libação é uma prática que consiste em derramar líquidos para as divindades como forma de sacrifício e agrado. Essa prática ancestral demonstra nossa reverência aos ctônicos, além de também matar a sede dos mortos, com um caráter de renúncia e respeito tanto aos deuses obscuros quanto às pessoas que já se foram. Derrama-se o líquido diretamente na terra para que ela o absorva, nutrindo e alimentando as divindades subterrâneas e os mortos com nosso amor e devoção. Realize a khoí em qualquer fase da lua ou dia da semana, antes de rituais, preces e ofertas no altar ou aos deuses ctônicos; cave um buraco no chão ou verta o líquido de um vaso. O líquido oferecido aos mortos ou à deusa nunca deve ser consumido por nós, e cada um deles possui um significado e função na devoção:”

  • Água: refrigério e intenções puras para com os mortos e Perséfone;
  • Sangue: vitalidade aos espíritos e, para Perséfone, representa sacrifício;
  • Melikatron (leite e mel): amansa e adoça os espíritos dos mortos. Faz os deuses serem propiciosos as nossas preces.
  • Azeite cru: sacralização do ato, sinal de uma devoção fértil e próspera;
  • Vinho: representação do sangue divino e do êxtase em honrar a deusa.

Khoí eram libações derramadas integralmente na terra e aparecem associadas especialmente as divindades ctônicas, aos heróis e aos mortos. Uma das libações mais apropriadas para um iniciante na Bruxaria Ctônica é o Melikatron (leite e mel), sendo essa mistura apaziguadora de espíritos, trazendo a paz ao lar daqueles que estão no inicio do caminho e que sentem medo de provocar a ira ou agitação dos mortos. As libações podem ser feitas a partir de pequenos vasos ou pratos apropriados e separados apenas para a oferta, ao qual os gregos chamavam de phiale.

Mulher derramando libação Khoé usando um phiale (prato raso) no túmulo do falecido, lekythos de terracota (frasco de óleo), Bosanquet 440–430 a.e.c
Electra e Orestes derramando libação Khoí no Túmulo de Agamenon

Vaso para Libação

Caso você more em apartamento ou precise ser discreto, separe um vaso com terra representando os poderes ctônicos e deixe-o na parte mais baixa do seu altar. Realize libações de água nele, priorizando esse líquido para não fazer derramamento de substâncias que podem estragar rapidamente. Caso opte pelo Melikatron, precisará troca-lo frequentemente, sendo preferível encontrar uma área com solo de terra, onde possa derramar suas libações. 

Atenção: Nunca derrame libações aos mortos e aos ctônicos em ralos de esgoto. Esse gesto não é proporcional a uma libação realizada em cova aberta, ou direto na terra, como acorria. O vaso com terra entra justamente como solução prática e adequada, carregando a importância ritual de contato com o solo, retomando a importância das das libações oferecidas aos mortos e divindades ctônicas em uma terra propicia.

Purificação cotidiana

Os mortais na cultura helênica eram considerados aqueles que não possuíam um odor inefável aos deuses, pois eram corruptíveis, quase sempre contaminados por miasma cotidianamente. Esse característico odor da mortalidade podia ser suspenso com rituais e práticas cotidianas de purificação. O miasma pertence a uma categoria religiosa de poluição que podia resultar de determinadas circunstâncias da vida humana, incluindo morte, sangue e outros acontecimentos, o que você pode aprender mais em CULTUAR DIVINDADES DO SUBMUNDO ATRAI MIASMA?

Se você deseja cultuar as divindades ctônicas, deverá ser profundamente gentil e comprometido com higiene e limpeza, a fim de se aproximar dos deuses respeitosamente. Isso significa algo muito além da realização de Khernips, o que também é essencial estar como prática rotineira; mas para além disso, é cuidar-se bem, garantindo que esteja limpo, higienizado e se possível, perfumado para se apresentar às divindades ctônicas, bem como o povo helênico fazia ao estar em contato com qualquer divindade.

As limpezas e purificações, devem ser parte pré e pós-momentos de conexão direta com os deuses, ou seja, antes de estar diante do altar e após a realização de práticas aos ctônicos. A prática de purificação encontra respaldo histórico riquissimo e a própria organização das casas gregas nos fornece evidências de que a limpeza corporal e o manejo da água faziam parte da vida doméstica religiosa. Alguns gestos fundamentais para manter nossa purificação no contato com os deuses são:

  • Tomar banho antes de entregas e preces
  • Estar com as mãos, braços e rosto limpos
  • Lavar-se pós entregas de oferendas
  • Tomar banho após grandes entregas e ritos
  • Usar perfumes botânicos ou mesmo aprender a fazê-los em honra aos deuses
  • Fumigar o espaço e ambiente com incensos, resinas e queima de ervas a fim de purificar o local antes e depois de práticas, entregas e oferendas aos ctônicos

Acender um incenso purificador e não tóxico, deixando-o queimar durante a prática, abarca uma purificação tanto prévia quanto posterior à prática; porém, não substitui as outras práticas de limpeza e purificação.

Descarte de Oferendas

Trecho – O Caminho de Perséfone “Viver como uma bruxa dentro de uma realidade capitalista e agitada nem sempre é fácil. Muitas vezes não temos tempo para realizar atividades simples, como nos deslocarmos para a realização de rituais próximos à natureza ou mesmo nos desfazermos corretamente das sobras dos rituais que realizamos dentro de casa. O vaso ctônico é um artefato que funciona como depósito de restos ritualísticos orgânicos. Ao invés dos restos de comidas e ervas serem jogados no lixo, a bruxa os enterra no vaso ctônico, realizando um descarte mais respeitoso dos materiais.

O uso de vasos para diferentes finalidades era comum no culto a Perséfone; neles eram enterradas até mesmo crianças falecidas, além de sementes e oferendas. No caminho de devoção à deusa, você pode comprar um vaso da sua preferência e deixá-lo em seu jardim com terra fértil. Ao longo do mês, sempre que fizer um ritual ou feitiço para Perséfone, enterre os restos no vaso ctônico. Nos últimos dias do mês, vá até uma área verde com terra e faça uma cova, jogando a terra do vaso ctônico fora. Preencha-o novamente com terra e leve-o para casa; desta forma você não terá que se deslocar sempre que precisar enterrar os restos ritualísticos”.

Vaso ctônico disposto no jardim

O Altar da Bruxa Ctônica

O espaço do altar da bruxa ctônica pode ser tanto isolado quanto integrado a vida cotidiana. Na cena arqueológica das casas gregas, temos vestígios de práticas religiosas que podiam ocorrer em diferentes pontos da residência, utilizando objetos, nichos, mesas, recipientes e pequenos altares que faziam parte do oikos. O altar da bruxa ctônica funciona como um ponto de concentração espiritual/ritual, e na Grécia antiga o altar doméstico era o lugar diante do qual se depositavam oferendas, se realizavam libações, se queimavam substâncias aromáticas ou se dirigiam orações, mas algo interessante é que sua presença no culto doméstico grego, não transformava necessariamente todo o entorno em um espaço exclusivamente sagrado, ou seja, voltado apenas a atividades religiosas. Pelo contrário, o culto doméstico estava entrelaçado às próprias atividades da casa: preparar alimentos, armazenar provisões, receber pessoas, cuidar da família e administrar os recursos da residência eram ações que podiam coexistir com momentos de devoção.

Em Olinto, evidências de culto doméstico aparecem distribuídas pelas casas, sem que exista necessariamente uma sala exclusivamente destinada à religião, uma evidência arqueológica que se repete em outros sítios arqueológicos gregos. Isso nos permite compreender o altar doméstico como um ponto de concentração dentro de uma casa viva, um lugar no qual, em determinados momentos, o cotidiano era ritualmente adaptado/modificado e o espaço habitual da família se tornava também espaço de relação com o divino.

Na Bruxaria Ctônica vamos um pouco mais fundo, pois o destino da Bruxa Ctônica iniciante é tornar-se uma habilidosa pharmakis(feiticeira). Imbuídas pelo espírito da feiticeira helênica, vemos a própria natureza como um altar, enxergando possibilidade em variados artefatos. A Bruxa Ctônica trabalha visceralmente com a energia telúrica e não ignora essa existência carnal, para nós ps deuses e deusas não são forças transcendentes distantes. A Bruxa Ctônica comunga com a natureza de forma profunda sentindo-se parte dela. Com isso, a conexão com a terra local é fundamento e por isso devemos nos familiarizar com a flora da nossa região, além de interagir com espíritos locais e de lugar, que podem ser nossos aliados para alcançar nossos objetivos.

Isso é possível por meio de encantamentos que evoquem a natureza deles e coleta de matéria orgânica da região onde moramos: plantas, pedras, terra, água de fontes, ossos encontrados em bosques ou parques da região. O altar da Bruxa Ctônica pode ser uma extensão da flora externa. As feiticeiras ctônicas não realizavam magias apenas a céu aberto, e se fosse, este era um local reservado e geralmente secreto; cômodos, cavernas, anexos intimistas para realização da Arte, pois já naquela época a feitiçaria não era vista com “bons olhos”. 

A essência do altar da Bruxa Ctônica: 

  • O altar é uma extensão da sua alma herética.
  • Ele pode ser em um ambiente externo ou interno. 
  • Geralmente é o no mesmo canto de preparo de poções e alquimias. 
  • Esse altar deve representar sua forma audaciosa e herética de se relacionar com a natureza. Ele deve dissolver barreiras da moral conservadora e abrir espaço para a amoralidade sadia. Deve ser um local de incentivo para a manifestação da sua natureza de feiticeira ctônica em harmonia com os deuses ctônicos que cultua ou cultuará.
  • Quando você se ver diante do seu altar ele irá testar seus limites e te fazer se perguntar: O que você deseja? O que você está disposta a fazer pelo que você deseja? Suas pupilas irão dilatar, sua cabeça estará erguida como se Circe a levantasse por usa própria mão, você precisará se olhar no espelho negro das sombras que é o seu próprio altar. Todas elas, as antigas que nos observam estarão atrás de você, te fazendo lembrar do tamanho poder da feitiçaria ctônica, e do quanto precisamos ter o discernimento e maturidade para fazer uso dessa força, pois a história de cada uma delas, as devotas e devotos dos ctônicos de tempos ancestrais, reverberará em nosso coração como um lembrete da nossa ambiguidade, da nossa heresia e capacidade de ser a harmonia e a destruição da nossa própria vida. O altar de uma bruxa ctônica é um espelho, que pode refletir nossa maturidade e equilíbrio ou a nossa loucura desmetida. Ele ganha vida própria, refletindo como estamos nos desenvolvendo pra tornarmo-nos poderosas bruxas e pharmakis. 

Na Bruxaria Ctônica temos alguns tipos de altares, você pode escolher o que melhor se adequa a sua realidade:

Altar Bothros/Bothroi

Bothros são tipos comuns de altares ctônicos em forma de cavidade ou fossa aberta no solo; em contextos rituais, recebiam libações, sangue ou outras oferendas, fazendo com que a deposição fosse dirigida para dentro da terra, em vez de realizada sobre um altar elevado. Em Akragas (Agrigento) na Sicília, o popularmente chamado Santuário das Divindades Ctônicas apresenta um complexo riquissimo: além de diversos altares circulares e quadrangulares, foram identificados vários bothroi distribuídos entre as estruturas cultuais, na área delimitada do sítio arqueológico diretamente associado a Deméter e Perséfone.  Akragas nos demonstra por meio das escavações que o espaço ritual ctônico não era formado apenas por uma única instalação subterrânea, pois haviam bothroi, altares construídos, pequenos santuários e outras estruturas podiam coexistir dentro do mesmo complexo. 

Outro exemplo importante está em Selinus, onde o santuário de Deméter Malophoros e a área cultual de Zeus Meilichios nos apresentam evidências de práticas de deposição e instalações relacionadas ao culto ctônico. Também é necessário salientar que bothroi não eram exclusivos da Sicília/Itália. Um estudo arqueológico do santuário de Deméter em Mitilene, mostra que o mesmo complexo possuía diferentes tipos de altares, incluindo altares baixos e instalações que incorporavam a própria rocha.  As evidências arqueológicas nos apontam que existia uma certa pluralidade organizacional do altar ctônico: havia situações em que a oferenda era depositada diretamente na cavidade, outras em que era realizada sobre um altar baixo, e ainda existem evidências de complexos onde essas diferentes instalações coexistiam.

Altar ctônico Bothros, Sítio arqueológico de Agrigento

Essa diversidade é justamente o ponto mais interessante para reforçar de que todas elas compartilhavam de algo em comum: não é necessáriamente sobre ter um buraco no chão como obrigação, mas sim sobre a relação ritual estabelecida entre a oferenda, a terra e a divindade ou entidade cultuada associada ao reino dos mortos. Para fazer o seu bothros deve-se pensar em construir um local cavado ou montado para entrega de oferendas e para servir como local de prece aos ctônicos no quintal ou jardim. Deve ter capacidade de acolher ao redor espaço para incensos, estátuas, pharmakas ou qualquer outra oferenda que desejar ser feita aos ctônicos.

Altar Eschara

Eschara também é uma opção de altar baixo circular, visualmente é semelhante ao bothros porém possuem finalidade e construções diferentes. Na arqueologia eles são descritos como bases próximas do chão, onde acendiam o fogo e queimavam sacrifícios e oferendas a divindades ctônicas e aos mortos, os eschara geralmente tinham uma tela, que era colocada sobre a base construída para queimar inteiramente a carne dos animais sacrificados; a forma mais identificável hoje seria uma churrasqueira montada no chão em formato circular. Em alguns sítios arqueológicos da Itália foram encontrados escharōn, que significa “o local de uma lareira”, neste caso um recinto onde há eschara para queima de oferendas aos mortos, e ctônicos.

Altar ctônico tipo Eschara (base baixa), Sítio arqueológico Agrigento

Você pode se inspirar na antiga estrutura bothros e escharas ctônicas presentes em sítios arqueológicos para criar um altar em seu jardim ou em um vaso ornamental.

Inspirações de altares retiradas do pinterest

Altar mesa

Na cena arqueológica geralmente ao lado de bothroi, fossas e outras instalações diretamente relacionadas ao solo, existiam também altares construídos e elevados, alguns de dimensões enormes. Um exemplo é o santuário de Akragas (Agrigento), na Sicília, onde as escavações identificaram oito altares circulares e quadrangulares, além de outros altares no interior de recintos e diferentes bothroi.  Essa diferenciação evidencia que a relação com as divindades ctônicas não dependia de uma única forma arquitetônica de altar: a oferenda podia ser dirigida ao solo através de uma abertura ou depósito subterrâneo, mas também podia ser realizada em altar elevado e visível.

A distinção “olimpianos encima e ctônicos em poço” não e tão delimitada assim dentro da arqueologia, onde a forma do altar e sobretudo o modo como a oferenda era realizada poderia variar. Para construir o seu altar ctônico do tipo mesa, recomendo construir também um ponto de aterramento ctônico, sendo um vaso com terra fértil para libações, na parte mais baixa do altar para ancorar a energia ctônica e ter como referência a aproximação entre poços e altares altos presentes em santuários dedicados a divindades ctônicas.

Altar mesa contendo também prateleiras e na parte mais baixa o ponto de aterramento ctônico representando os domínios de Hades

Altar econômico e ornamental: Caso você queira optar por um altar que economize espaço, poderá reproduzir a arquitetura de um altar ctônico em um vaso adornado com objetos sagrados do culto às divindades ctônicas cultuadas, podendo nele afundar velas para serem queimadas, fazer libações e também apoiar incensos na própria terra (reprodução em miniatura de um Bothros ou Eschara).

Terrário: O altar ctônico em tempos de intolerância

O Terrário Devocional Ctônico é uma construção alternativa especialmente interessante para devotos que convivem em ambientes de intolerância religiosa, onde precisam disfarçar ou esconder o seu sagrado. O terrário aqui assume o lugar de altar e de correspondência sincrônica com o mundo ctônico.

Diferentemente de um bothros e um altar ctônico de mesa, o terrário não intenciona reproduzir uma estrutura antiga mas antes de tudo criar caminhos para que a espiritualidade ctônica se manifeste mesmo nos ambiente mais inóspitos e desafiadores. Ele funciona como um pequeno microcosmo vivo dentro da casa ou de um canto intimista e seguro para o devoto. No terrário encontram-se o solo, raízes, pedras, sementes, folhas e matéria orgânica reunidas em um recipiente, onde nascimento, crescimento, decomposição e renovação podem permanecer continuamente visíveis, sendo praticamente uma extensão do estado de espírito do devoto, comprometido em manter viva a devoção aos ctônicos.

O terrário pode, receber elementos vegetais, decorativos e artísticos relacionados à divindade cultuada, além de libações em água e pequenas oferendas orgânicas apropriadas, desde que sua composição seja segura para as plantas e para o ambiente. A principal finalidade é criar no espaço doméstico um microambiente que representa a honra e nutrição da devoção à dimensão ctônica e aos deuses que nela habitam.

Inspirações de terrário (pinterest)

O que colocar nos altares?

O critério de seleção de itens para compor o altar de divindades ctônicas deve possuir alguma correspondência associativa ancestral e histórica, além das plantas e elementos para realização de pharmakas. Ao longo do tempo tenha itens intuitivos que condizem com a lógica de culto e mistérios da divindade. Abra seu coração para deixar que aos poucos ele tome uma forma única, e não se preocupe em fazer grandes elaborações, pois ao longo do tempo os altares se transformam, pela graça das divindades ctônicas. Tenha fé nos pequenos gestos e procure priorizar os itens essenciais. Eis aqui uma lista baseada em pesquisas e análises arqueológicas de escavações realizadas em sítios associados a divindades ctônicas.

Você encontra aqui o item antigo, seu significado e a sugestão atual para a devoção:

  • Eschara: instalação baixa relacionada ao fogo e à queima de oferendas -> Cumbuca de pira ou vaso na parte do chão para fumigações e queima de oferendas.
  • Bothros: cavidade ou fossa no solo que, recebia libações diretamente na terra. -> Vaso de libação, o próprio altar em si ou construção na parte baixa do altar voltada a libações.
  • Cova: usada para deposição de restos ritualísticos -> Vaso Ctônico.
  • Mesa de oferenda: superfícies onde alimentos, vasos ou outros objetos podiam ser colocados. -> Mesa ou prateleira instalada com a finalidade de servir como altar.
  • Pithoi: grandes recipientes de armazenamento, alguns encontrados em contextos rituais ou associados a depósitos. -> Vasos ou cestas com porções de grãos que ao longo do tempo as deusas lhe concedem a benção de comprar. Sempre que adquirir, deposite um pouco para os deuses.
  • Ânforas: grandes vasos utilizados principalmente para armazenar e transportar líquidos ou outros produtos; também aparecem em contextos cultuais. -> Vaso separado apenas para transporte de líquidos para limpezas e purificações no altar.
  • Oinochoai: jarras utilizadas para servir líquidos, inclusive em práticas de libação. -> Um vaso ou jarro para derramamento de libações na terra.
  • Phiale: pratos rasos associados especialmente a libações. -> Prato comum para derramamento de libações na terra.
  • Taças e cálices: recipientes que podiam participar do consumo ritual ou da apresentação de líquidos e alimentos. ->Taça ou cálices para oferta de líquidos as divindades ou para bebida diante do altar.
  • Pequenos vasos votivos: recipientes depositados como oferendas. -> pratos, potes e cumbucas onde se depositar oferendas.
  • Incensários: recipientes utilizados para queimar substâncias aromáticas. -> Incensos turíbulos e apoiadores para queima de resinas.
  • Lâmpadas: objetos de iluminação. -> Velas
  • Cerâmica votiva: vasos ou objetos depositados como oferendas. -> Esculturas e itens devocionais modelados ou comprados por você para adornar o altar.
  • Placas de terracota: pequenas figuras humanas ou divinas depositadas como oferendas. -> Esculturas e itens devocionais modelados ou comprados por você para adornar o altar. Pode ser também pinturas, desenhos e outras expressões artisticas artesanais que representem a divindade.
  • Relevos votivos: placas ou esculturas oferecidas às divindades. -> Quadros e artesanatos com cenas representativas associadas aos mistérios da divindade.
  • Estelas: pedras trabalhadas que podiam carregar inscrições ou funcionar como elementos votivos. ->Pedras com desenhos de selos, sigilos e simbolos associados a divindade.
  • Inscrições dedicatórias: textos que podem registrar a divindade, o devoto ou a finalidade da oferenda. -> Liberdade por respaldo histórico de deixar no altar escritos, palavras de reverência, amor e carinho aos deuses, além de suplicas e pedidos.
  • Outros itens presentes na cena arqueológica: Jóias, objetos de bronze, adornos, ferramentas de ferro, miniaturas de animais associados as divindades, ossos de animais, chifres, conchas.

Atividade no Altar Ctônico (Presente na cena de sítios arqueológicos)

  • Carvão: evidencia a presença de fogo ou material queimado nos altares.
  • Restos de fogueira: atividades de combustão, inclusive práticas sacrificiais.
  • Sementes e grãos: restos vegetais que podem representar alimentos, oferendas ou simplesmente atividades de armazenamento e consumo oferecidas as divindades ctônicas.
  • Frutos e nozes: registros arqueobotânicos que surgem como materiais depositados ritualmente.
  • Resíduos vegetais, de alimento e de combustão nos altares reconstroem a cena de fogueiras, uso de pharmakas, plantas banquetes e fumigações diante do altar o que comprovam sua finalidade.

O altar ctônico é um local para preces, suplicas, sacrifícios, orações, realização de pharmakas, rituais, feitiços evocações e invocações as divindades ctônicas. É um local de convergência entre o devoto e os khthonioi.

O altar de uma bruxa ctônica iniciante

Comece com os itens essenciais:

  • Um incensário ou cumbuca para queima de resinas;
  • Jarro ou Phiale para libações;
  • Khernips, se possível em frasco spray ou uma bacia para limpeza.
  • Um porta-vela ou prato para vela.
  • Um vaso ctônico na parte baixa para deposição de restos ritualísticos.
  • Um vaso com terra para receber libações.
  • Um prato ou cumbuca para oferendas.
  • Uma imagem e representação da divindade (Preferencialmente feita artesanalmente por você)
  • Potes com suas primeiras resinas e plantas mágicas

Graças pelo grão concedido

Você pode ter estátuas, quadros, desenhos feitos à mão com representações dos deuses em seu altar, além de outros objetos que representem o culto e os mistérios da divindade, mas a prioridade deve ser, antes de tudo, as belezas e a fertilidade recebida em sua vida. É agradável que você deixe no altar um prato de oferendas, onde pode ali depositar flores colhidas, raízes, tubérculos e porções de vegetais recebidos pelas bênçãos de Plutão em seu lar.

Caso você tenha crianças em casa, elas podem participar dessa oferenda desenvolvendo o hábito de lembrarem-se dos deuses ctônicos e entregar-lhes uma parte daquilo que receberam em sua casa. Esse pequeno gesto é bem recebido por Aidoneus e pelas divindades ctônicas, como um sinal do reconhecimento do seu poder oculto de fertilidade, distribuído, cultivado e concedido através da força motriz de Deméter como doadora dos grãos. Antes do Deipnon ou no Peridipnon de Perséfone, enterre as oferendas na cysta no vaso ctônico entoando um hino a Hades Plutão ou a Deméter.

O Caderno Ctônico

Separe um Caderno Ctônico apenas para organização dos seus estudos e práticas a respeito do ctonismo. Este caderno pode ser também um documento digital onde você realiza suas anotações.

No Caderno Ctônico, anote termos, conceitos e todas as crenças folclóricas helênicas que dizem respeito às divindades ctônicas que encontrar. É neste caderno pessoal que você irá anotar suas descobertas sobre como os antigos helênicos pensavam a morte. De começo, procure escrever nele intuitivamente, transformando-o em um compilado cronológico de toda a sua lógica devocional no início da trajetória com os deuses. Se em uma folha sentir de desenhar algo para os ctônicos, faça; se decidir, então, escrever na outra uma lista de plantas, cores e epítetos, faça.

Esse registro será uma amostra do seu primeiro ciclo de conexão com a Bruxaria Ctônica.

As práticas de inicio na Bruxaria Ctônica apresentadas aqui tem uma média de implementação e fluxo de 6 meses a 1 ano; significa que, após esse período, torna-se mais seguro para você fazer rituais mais elaborados de forma solitária ou mesmo coletiva. Tenha paciência com sua jornada espiritual, busque sentir o tempo dos ctônicos em sua vida, assimilar os ciclos e gradualmente ir se abrindo para as próximas etapas do culto como Bruxa Ctônica. As vezes queremos fazer tudo de uma vez e acabamos não fazendo nada, ou acabamos perdendo a noção de importância que cada gesto carrega na devoção.

Abaixo disponibilizo um cronograma como sugestão para inicio no caminho da Bruxaria Ctônica, onde você poderá começar com profundidade e ligação intima com cada gesto-ritual, assimilando cada etapa da sua iniciação como bruxa ctônica:

Cronograma de iniciação na Bruxaria Ctônica (6 Meses)

MêsFoco PrincipalPráticas e Fundamentos a ImplementarMatéria Ritual / Estrutura Necessária
Mês 1:
Busque anotar os seus estudos e se familiarizar com elementos do culto ctônico. Se preencha de inspiração.
Inspiração e graça ancestral• Iniciar o Caderno Ctônico para anotações, dividindo em Fonte, Evidência, Interpretação, Reconstrução e Prática Devocional.

• Reflexão sobre a consciência da morte (ciclicidade dentro e fora de você).
• Caderno ou documento digital.
Mês 2
Prepare o seu corpo e entre em estado de purificação antes de realizar a montagem de altares ou práticas ctônicas mais elaboradas.
Purificação de corpo e alma• Introduzir a higiene e purificação ritual antes e após as práticas.

• Preparo e uso da khernips (água ritual).

• Banhos devocionais e uso de perfumes botânicos/incensos purificadores.
• Frasco spray para khernips.

• Incensário ou cumbuca para queima de ervas/resinas.
Mês 3 e 4
Começe a experimentar mais profundamente as sensações ao entoar os hinos aos ctônicos e a oferecer as libações para apziguamento dos mortos no ambiente doméstico. Anote seus sonhos, perceba as movimentações, sinais e procure ter calma ao se abrir para o culto ctônico. Se houver um pânico muito grande ou medo da morte, pare aqui e volte ao mês 1, busque estudar mais sobre a morte, sobre o culto ctônico.
Os sentidos como oferenda• Prática diária ou semanal de leitura e entonação dos Hinos Órficos.

• Postura ritual (proskynesis: de joelhos, cabeça baixa e mãos tocando o solo/terra).

• Criação do Vaso Ctônico para descarte e deposição intencional de restos orgânicos dos ritos.

• Início das ofertas líquidas (khoí) que não são consumidas, derramadas na terra.

• Ofertas de água (refrigério) e Melikatron (leite e melado/mel) para apaziguar os mortos , feito no vaso ctônico.
• Texto dos Hinos Órficos.
• Recipiente ou vaso especial (phiale ou prato/jarro) para libações.
• Vaso com terra fértil (para ser o vaso ctônico).
Vaso com terra para derramamento de libação ctônica (Se for feito bothros não é necessário).

Mês 5
É hora de montar o seu altar já devidamente em espirito de purificação e alinhamento voz, corpo e gesto de saciamento das forças ctônicas. Você está pronto para montar seu altar, escolha o modelo e comece a planejar sua edificação. Tenha como preferência o Deipnon/Noumenia ou fim do Peridipnon de Perséfone para a edificação do mesmo.
Montagem do altar ctônico• Montagem da estrutura do Altar Ctônico (com ponto de aterramento em vaso com terra fértil).
• Cesta/prato de oferendas.

• Porta-velas e outros recipientes parte da lista de sugestões para o altar.
Mês 6
Daqui para os próximos seis meses você, seu corpo e energia estarão em adaptação para uma rotina cada vez mais profunda e conectada com os ctônicos
Ciclo de rotina doméstica cmo bruxa ctônica e abertura para rituais básicos e devoção • Firmamento da rotina (purificação + entonação de hinos + libação + deposição no vaso).

• Descarte mensal da terra do vaso ctônico em área verde para reintegração.

• Preparação para dar início a rituais solitários mais elaborados.
• Estrutura completa do culto doméstico iniciante

Estes primeiros gestos te conduzem a um início fundamentado e cuidadoso como bruxa ctônica, sobretudo quando vinculado à busca constante e consciente sobre a morte, os temores que ela desperta em nós mortais, e nossa busca incessante por negá-la.

Por isso, é interessante que, enquanto começa a dar os seus primeiros passos, você busque desenvolver a sua mentalidade a respeito do fim. Conciliado a implementação do guia, faça leituras de obras que falem sobre a morte, vendo isso como uma oferenda e forma de culto aos ctônicos. Isso será assunto para um outro artigo, por agora espero que esse guia lhe traga inspiração para começar, ou quem sabe recomeçar seu caminho como Bruxa Ctônica. Khairé!

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Referências Bibliográficas:

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  • CAHILL, Nicholas. Household and City Organization at Olynthus. New Haven: Yale University Press, 2002.
  • AMESON, Michael H. Domestic Space in the Greek City-State. KENT, Susan. Domestic Architecture and the Use of Space: An Interdisciplinary Cross-Cultural Study. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
  • NEVETT, Lisa C. House and Society in the Ancient Greek World. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.
  • NEVETT, Lisa C. Domestic Space in Classical Antiquity. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
  • SNEED, Debby. Cybele and Attis in Domestic Cult at Olynthos: Evidence for Flexibility in Household Ritual. Society for Classical Studie
  • ARCHAEOLOGICAL MUSEUM OF THESSALONIKI. New Entries / New Approaches: New Interpretations of Old Finds from Ancient Olynthus. Thessaloniki, 2023. 
  • ROBINSON, David M. Olynthus. Baltimore: Johns Hopkins Press / The Johns Hopkins University Press, 1929–1952 – Internet Archive
  • CAHILL, Nicholas. Household and City Organization at Olynthus. New Haven: Yale University Press, 2002.
  • GOLDMAN, Hetty. Excavations at Eutresis in Boeotia. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931. 
  • GOLDMAN, Hetty. Preliminary Reports on the Excavations at Eutresis. American Journal of Archaeology, 1927.
  • LISSI, E. Bothros. Enciclopedia dell’Arte Antica. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana, 1959. 
  • JAMESON, Michael; JORDAN, David R.; KOTANSKY, Roy D.. A Lex Sacra from Selinous. Durham, NC: Duke University, Greek, Roman and Byzantine Monographs, 1993.
  • GABRICI, Ettore. Il santuario di Demetra Malophoros a Selinunte. Roma, 1927.
  • GROTTA, Carmelo. Zeus Meilichios a Selinunte. Pisa: Edizioni ETS, 2009.
  • COARELLI, Filippo; TORELLI, Mario. Sicilia. Bari: Laterza, 1984.

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